
Rabisco as letras
Do teu nome
Em meu peito.
Elejo o teu nome
Como o mais bonito
Repito
Para não esquecer
Em todos
Os tons e cores.
Teu nome
É eco de esperança
Em minha alma
Acalma
Meu sono.
Teu nome
Ressoa
Como o mais perfeito
Dos amores.

Nesses tempos onde o tempo é areia escorrendo em uma velha ampulheta, nada mais me conforta, me acomoda e me aconchega que a presença refletida de mim mesma em minha casa. Meus cantinhos traduzem o meu silêncio, minhas vontades, minhas manias.Os quadrados da casa, da alma e da vida, se ajustam, se arrumam, se organizam. Tudo silencia o furor de um cansaço que o vento aprisiona em mim. Minha cama explica o tom sutil das florezinhas miúdas de um lençol estampado. Claro, claro que foi presente. As estampas não me caem bem. Lençóis lisos traduzem a certeza do que se sabe, ampliam o tamanho da cama, deixam o meu sono mais tranqüilo. Sou eu toda de uniformidades, de alinhos, de linhas retas e milimetricamente medidas e arrumadas. Minha casa diz e repete pra mim quem eu sou e eu me sinto forte, segura. Uma xícara de café fresco, um chinelo velho e tempo gasto com bobagens ao computador. Acordar cedo e brincar com o lençol, sendo surpreendida pela luminosidade que entra pelas frestas da janela. A moça da pamonha com sua toada insistente e as notícias do jornal que se repetem, mas não perdem o cheiro de novidade. Levantar e dar de cara com as estantes, imóveis, mas sorrindo com os dentes abertos, cheinho de livros. Tocar em cada um deles. Ouvir uma música de Hendel enquanto saboreio um café e um pão quentinho, recheado com sabor de leve brisa. E nesses momentos simples e tão únicos é que se percebe e se sente o que é realmente estar em paz.
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Minha mãe e minha filha,Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor....

Ela não é forte coisa nenhuma... É apenas uma menina grande brincando de casinha. Medo de não fazer certo, medo de as coisas darem errado, medo de não chegar no horário. Grandes medos para uma grande menina. Arruma as coisinhas miúdas no guarda-roupa enquanto ensaia uma arrumação na vida. Lembra de marcar os médicos, lembra de ir à costureira e tenta lembrar de não esquecer nada. Forra a cama com o primor de quem não dorme ali. Sacode a poeira perdida e incrustada na alma e na vida. A casa é enorme, o mundo também.
