quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Falta


                                           
detalhe de Water Serpents II, Gustav Klimt, 1907.





A tua falta é farpa
Afiada, afinca forte
Dilacera o peito.

Pingam gotas de sangue
Sobre o leito
Lágrima vermelha que cai
E mancha o que não foi dito.

Pingam gotas de dor
Sobre a cama
E o sol avermelha e nasce
Por dentro da insônia. 

quinta-feira, 29 de março de 2012





Frágil — você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal, de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse.Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos, começa a passar.

Outra vez chinês, você se afasta um pouco para ver melhor o ideograma. “Verdade interior” — você repete. E acrescenta:

“Tenho uma boa taça. Quero compartilhá-la com você”. Estende as mãos para frente, como se fosse tocar o rosto de alguém. Mas você está sozinho, e isso não chega a doer, nem é triste. Então você abre a janela para o ar muito limpo, depois da chuva. Você respira fundo. Quase sorri, o ar tão leve: blue.

Caio Fernando Abreu - Pequenas Epifanias - 61: Verdade Interior
O Estado de S. Paulo, junho/1987

terça-feira, 27 de março de 2012

Dor

Chagall, The woman and the roses, 1929.


hoje a lágrima não rola
a dor demora
por dentro do peito
farpa afiada, corta sem dó.

hoje a palavra não fala
o silêncio responde
com um movimento brando
o desatino vão
que faz do amor um nó

hoje a noite não finda,
madrugada anuncia
com o sol raiando
por baixo das sombras
do que sobrou de mim.

hoje a interrogação
dorme em meus braços
e preenche os espaços
vazios de você.

Hoje é um oco
dor de doer tão fundo
um arrepio sobre a minha alma
sobre minha casa, sobre meu mundo.

Amor, cadê?

domingo, 25 de março de 2012

Aniversário

Chagall, La Danse, 1952.




Os anos deixam a marca,
No corpo, na alma, na vida
E a tua presença convida-me
A continuar caminhando.

e sorrisos e lágrimas enfeitam
o caminho de sonhos e desatinos
que escolhemos juntas

e esperanças e mágoas
constroem, destroem, levantam
o amor menino que nasce de novo.

Os anos passam serenos,
pelos nós dos desenganos
pelas águas do caminho
pelas lágrimas do cotidiano.

Mas a força mais importante
Desse amor que é absoluto e pleno
É que juntas estamos,
Estaremos
Permaneceremos
Amando, caminhando e sobrevivendo. 

Para sempre,

Feliz Aniversário! 

terça-feira, 20 de março de 2012

Saudade II

Chagall

Agora o mundo é menos absurdo que ontem
Mas ainda faz muito calor.
Meus pés contorcidos estão
E tentam em vão,
Encontrar os seus.

Nada acho
Na cama vazia, enorme de sonhos
Contento-me com o cheiro de novo, 
tecido pelo adeus.

Nada tenho
além da saudade
desenhada em minhas pálpebras
pela solidão da sua ausência.

Minha angústia pede clemência

sexta-feira, 16 de março de 2012

Amor Bastante



quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Paulo Leminsk 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Fragile, Sting






If blood will flow when flesh and steel are one
Drying in the colour of the evening sun
Tomorrow's rain will wash the stains away
But something in our minds will always stay

Perhaps this final act was meant
To clinch a lifetime's argument
That nothing comes from violence
and nothing ever could
For all those born beneath an angry star
Lest we forget how fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star
Like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are
How fragile we are

On and on the rain will fall
Like tears from a star
Like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are
How fragile we are
How fragile we are
How fragile we are