sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sonho




Acordou com um sorriso nos lábios e fechando os olhos para lembrar da noite e do amor que nela estava contida. E a filha, curiosa de vê-la assim, perguntou:

- Sonhando acordada, mãe? 

E ela abriu os olhos e respondeu:

- Não , filha.  Vivendo o sonho com o coração aberto. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Refém

"Não se encontra a  paz evitando a vida." Virginia Woolf. 



A minha dor é do tamanho
do meu silêncio.
O meu coração bate
sem fazer barulho
Refém de sua presença,
recuo em todo e qualquer combate.

A minha dor é do tamanho 
do meu abandono.
Meu coração silencia,
cala, consente.

Pássaro de asas quebradas no meio de um vendaval.

A minha dor é o preço do meu resgate,
Refém que sou deste amor,
que me faz tão bem
E por vezes, me faz tão mal. 

Âncora






É preciso que mergulhes
tua alma em meu mar,
É preciso que acredites
que o amor renasce pleno,
cria novas raízes, leva os desenganos.

É preciso que navegues em mim,
em nós, sem medos e nem talvez.
Sem as certezas da âncora
mas com a plenitude e esperança
do amor que tudo supera.

É preciso desenhar sóis e flores
em nossa janela
Ancorar o amor em nossos corações
e deixa-lo pousar livre 
sem reservas, nem amarras.

É preciso cultivar o amor,
Vivendo um dia de cada vez
 Amarelo e terno
como um girassol 
Simples e Intenso
Como a gente faz, como a gente fez. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Manhã




Acordar ao seu lado
É descobrir sóis tímidos
Nascendo por baixo de meus cílios.

Abrir os olhos e respirar teu cheiro,
Passear pelos teus sonhos
Navegar em teus suspiros.

Acordar ao teu lado
É repetir o aconchego
E sentir o dia nascendo lindo
Por dentro do meu peito.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Consolo




Nó desfeito,  laço frouxo
Tempo vão de te ganhar
Dor sincera pelo amor do outro
Breve espaço de recomeçar.

Tudo que te comove
Me toca e angustia
Porque a tua tristeza,
Desmonta a minha alegria.

Ainda que seja de flores
Este breve tempo amigo,
Abaixo a cabeça do sonho
E paro para chorar contigo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

In the bed


In Bed, Henri de Toulouse-Lautrec, 1892. 



Na minha cama nossas almas se encontram
Há alegrias perenes, há conflitos passageiros,
Há sorrisos, há luz,  há amor,
Há a tua presença iluminando as minhas dores
Há lágrimas, há promessas, interrogações e dor.

Na minha cama é o lugar onde te repouso
Onde és assim tu mesma, pura e branca
Onde experimento a pausa na dor,
Doses homeopáticas  de esperança.

Na minha cama há sonho e espinhos
Solidões e descaminhos,
Um buraco enorme deixado pela falta que você faz.

Na minha cama há calma voraz,
Quando passeias sobre meu corpo
E me dizes em silêncio que me amas

Tempo vão, Temporais. 


Spes


Memories, John Alexander, 1903


Esperança. No dicionário: confiança em algo positivo. Dela derivou o verbo esperar através do verbo latino SPERARE, “aguardar, ter esperança”. Na sua etimologia latina, esperança vem de spes e sperare que significa uma espera aberta, que não assenta em resultados externos , mas sobre a realização da pessoa. Assim, a esperança é uma tendência para um bem futuro e possível.
Desespero. A sua utilização mais antiga em inglês remonta a c.1325, com origem no francês antigo desperer, perder a esperança, desesperar.

Meu coração repousa ansioso sobre estas duas palavras. Entre esperar e perder a confiança na espera eu me traio, peito dolorido, braços pendentes de cansaço. Eu amo, eu me entrego, eu esqueço a altivez e o orgulho. Eu esqueço de tudo, até mesmo de quem sou. Sou uma outra ao espelho, não gosto do que vejo mas há tempos que já não consigo ser eu mesma. Repouso faminta sobre as migalhas do amor que se mostra. Do amor que se retrai. Do amor que é e não é ao mesmo tempo. Da dúvida insistente, da vontade impulsiva de ser feliz. Meu corpo me castiga, sou eu toda em frágeis pedaços contorcidos pelos espinhos que crescem sobre mim mesma. Carente, busco uma palavra, uma voz, uma confirmação. Procuro seu amor nas palavras que dizes, nas letras, nas declarações antigas. Cega, esqueço os limites, me traio, me petrifico, sou uma dor elegante sem esboço de sorrisos. Uma flor murcha, por fora e por dentro, murcha como os olhares das pessoas, como dizem que estou. Mas há hiatos maravilhosos nisto tudo quando te vejo. Quando você me diz que me ama e que eu sou a mulher da sua vida. Quando te beijo, te abraço e te sinto assim de forma tão plena.  Sinto a sua dor em meu peito, repouso a tua cabeça sobre o meu ombro e esqueço até mesmo da minha dor para te confortar. Sou confidente, escuto o que não posso. Falo o que não devo. Compartilho lágrimas, sonhos e faço planos. Mas eis que o tempo se esvai, passa ligeiro quando estou contigo. E logo estou novamente só. Abro os olhos e é treva, estou só. Eternamente pendular. Entre seguir  em frente e fazer uma curva no caminho. Entre ficar e ir embora. Entre a esperança e o desespero.