quinta-feira, 27 de março de 2008

Do cansaço

Estou cansada da mistura, do novo, do outro.
Quero a mim mesma.
Quero cheiro de mofo e papéis amarelados
Quero beber a pura nostalgia
Quero a mesmice de uma vida sem exclamações
Quero reticências...
Quero clones de mim por toda parte.

Da hipocrisia

O que é que faço aqui agora? Desfiles e egos...Não quero brilhar...Não quero ser ouvida...quero o quê?
Sentir...desesperadamente.
Estar nua Estar nua de tudo. Despir-me.
Queria não estar aqui. Mas estou... e sorrio.
Disfarço felicidades e encontros
Pela mera necessidade
De ser um ponto. De ser
Alguém na multidão

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Atriz






Finjo que não sinto
Finjo que não vejo
Escrevo
Um novo personagem
Invento
Sonhos bolorentos
Transcendo
Para uma nova imagem
Atriz
Do meu descontentamento

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Nuances












Teu olho me olha sozinho

Me molha, me pede, recusa

e fere


Teu olho é espinho e

mancha

Meu sentimento perdido

que nunca te alcança


Teu olho me adivinha

Inteira e seduz

É asa quebrada

De sonho e delírio


Teu olho me chora

Me faz pequenina

Teu olho é amor e

despedida

Minha eterna sina.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dedicatória

Essa palavra não dita
Atravessou a minha vida
Consolidou-se em sílabas, lágrimas
suor , esperança e amor.

Essa palavra não dita
Como brisa
Tranquilizou meu corpo, roto
Agitou meus sentidos
Abafou os gritos
presos/soltos
na garganta.

Essa palavra não dita
Virou semente implícita
Arraigou-se de repente
e silente
Em dor
se transformou.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008






AUSÊNCIA

Tudo no tempo
Reverbera teu encanto

Tudo o que toco
Reverbera o meu espanto

Seu cheiro repousa
Escondido pelos cantos
Da casa

Ausência de ti
Impera em mim
Como asa
Quebrada de beija-flor

E eu, que nunca imaginei sentir
Desta maneira
Miro a dor do outro lado
Da sala.

E escorre densa e negra
E sobre mim se instala

Oco de mim é tua falta.
Angústia de perder-me
Por ai.

Tua ausência trescala
Aroma de saudade
Reverbera a novidade
Do velho amor
De sempre.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Das esquisitices



Impossível não se comparar com algo, com alguém. Impossível não criar modelos, senhores, espelhos...Impossível não fazer o outro de espelho. Nesta inerente ação é que eu me qualifico: esquisita. De vontades e pensares e sentires diferentes dos demais. Por mais que se busque uma autenticidade, não tem jeito. O outro se depara ao nosso olhar. E eis que nos miramos continuadamente. Mania mais que esquisita de teimar em saber quem somos. Não saber é lucro, saber demais pode complicar, pode tornar ainda mais esquisita esta inquietude de ser fora dos padrões. Ás vezes bate uma vontade de ser uma outra. Ou de ser o que se detesta. Como seria? Odiar e amar são verbos tão próximos, tão análogos e tão simétricos. Linhas tênues que separam esses dois mundos...Esquisito é ser assim, fora dos padrões. Sem pertinências, sem comunidades, apátridas, quase. Esquisita é essa minha mania danada de querer expressar com palavras este vazio que não finda, buraco negro sem saída, um espelho plano de meu abandono.