sábado, 19 de abril de 2008

Pertinência













Cada dia que passa eu me sinto mais ausente
Como se o meu lugar fosse diferente,
Como se eu não fosse mesmo daqui.

Cada dia o hiato é mais profundo,
mais extenso, mais fecundo,
sou eu mesma em questionamentos vazios.
Cada dia é mais desconfortavel o silêncio
a diferença de tudo o que penso,
os meus passos não ritmados ficando sempre pra trás.
Cada dia eu me sinto mais sozinha,
Mais opaca, mais sombria
Cada dia eu me perco e acho
que não me encontro nunca mais.

sábado, 5 de abril de 2008

Antídoto


Não quero mais ouvir o grito dos corvos
Nem o cheiro irritante de dor,
Que invade as narinas.
Quero sentir o cheiro das flores
à minha janela.
Quero o amarelo do girassol e o verde das folhas.
Quero sair, expurgar o veneno
Quero um antídoto para a vida
Insana e que escorre
que rasga, machuca e lanha.
Quero poesia e amor,
Pra fazer realmente valer a pena.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Do cansaço

Estou cansada da mistura, do novo, do outro.
Quero a mim mesma.
Quero cheiro de mofo e papéis amarelados
Quero beber a pura nostalgia
Quero a mesmice de uma vida sem exclamações
Quero reticências...
Quero clones de mim por toda parte.

Da hipocrisia

O que é que faço aqui agora? Desfiles e egos...Não quero brilhar...Não quero ser ouvida...quero o quê?
Sentir...desesperadamente.
Estar nua Estar nua de tudo. Despir-me.
Queria não estar aqui. Mas estou... e sorrio.
Disfarço felicidades e encontros
Pela mera necessidade
De ser um ponto. De ser
Alguém na multidão

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Atriz






Finjo que não sinto
Finjo que não vejo
Escrevo
Um novo personagem
Invento
Sonhos bolorentos
Transcendo
Para uma nova imagem
Atriz
Do meu descontentamento

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Nuances












Teu olho me olha sozinho

Me molha, me pede, recusa

e fere


Teu olho é espinho e

mancha

Meu sentimento perdido

que nunca te alcança


Teu olho me adivinha

Inteira e seduz

É asa quebrada

De sonho e delírio


Teu olho me chora

Me faz pequenina

Teu olho é amor e

despedida

Minha eterna sina.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dedicatória

Essa palavra não dita
Atravessou a minha vida
Consolidou-se em sílabas, lágrimas
suor , esperança e amor.

Essa palavra não dita
Como brisa
Tranquilizou meu corpo, roto
Agitou meus sentidos
Abafou os gritos
presos/soltos
na garganta.

Essa palavra não dita
Virou semente implícita
Arraigou-se de repente
e silente
Em dor
se transformou.