quarta-feira, 1 de julho de 2009

Eu sou poeta e não aprendi a amar

Primeiro de Julho
Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E é nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei pra ti
Ninguém sabia e nínguém viu...
Que eu estava ao teu lado então...

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher

Minha mãe e minha filha,Minha irmã, minha menina

Mas sou minha, só minha e não de quem quiser

Sou Deus, tua Deusa, meu amor....

Carta ao senhor A.


Você fala de mim com uma precisão tão absoluta que eu, esperançosa que sou, às vezes chego a acreditar que você me entende. Bobeira minha. Ninguém me entende, nem eu mesma. Mas às vezes você me desentende e isso todo mundo sempre faz. Você me põe para pensar. Eu consigo escutar as suas palavras trazidas pelo vento em minha direção. Consigo me comover com suas dores e com suas lembranças, consigo uma ínfima aproximação e, nesses curtos momentos, percebo que sou ligeiramente feliz.

Eu sou alguém que se perdeu de si mesma, confusa entre personagens que eu mesma inventei. Eles me ferem tortuosamente, mas eu me submeto. Ser o que não sou é tão fácil. Ser o que não sou não dói. Não quero me expor, não posso me expor, tenho medo de me expor. Seguro firmemente as grades de me separam deste mundo, o seu. Não é que você não mereça. Não é que você não possa. Eu é que jamais conseguiria chegar até ai.

Tua presença me alivia. Bom ouvir a tua voz como quem acabou de lembrar que tem que tomar um remédio. E dorme tranqüilo, não haverá dores nas próximas oito horas. Pelo menos. O que nos une é diferente de qualquer entendimento das pessoas. Não é namoro, não é sexo, não paixão, não é amor, nada nominável. Estranha mania que o mundo tem de por nome a tudo, de rotular e estabelecer regras para qualquer tipo de relação entre duas pessoas. Não nos encaixamos. Até que tentamos, mas não dá. É um afeto, um encontro, uma coisa boa que persiste. Uma coisa que eu quero que persista. Sem maiores pretensões.

sábado, 27 de junho de 2009

Poeira


Ela não é forte coisa nenhuma... É apenas uma menina grande brincando de casinha. Medo de não fazer certo, medo de as coisas darem errado, medo de não chegar no horário. Grandes medos para uma grande menina. Arruma as coisinhas miúdas no guarda-roupa enquanto ensaia uma arrumação na vida. Lembra de marcar os médicos, lembra de ir à costureira e tenta lembrar de não esquecer nada. Forra a cama com o primor de quem não dorme ali. Sacode a poeira perdida e incrustada na alma e na vida. A casa é enorme, o mundo também.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Shelly



Para você toda a alegria e esperança,
de dias verdinhos e suaves,
de brisas quentes assanhando teus cabelos,
de riso perdidos e intermináveis
quebrando o silencio de dias rotineiros.

Para você todo o ar festeiro,
todo o céu e mar
cantigas de ninar
para você acordar e contemplar
o sabor do mundo inteiro

Para você meu verso
o mais verdadeiro,
cheiro suave de terra,
depois de longa tempestade.

Para você o inefável
traço de afeto e sentimento,
meu maior presente...

Para você a minha eterna amizade!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Silêncio


Acho engraçado você ficar sem graça
Acho confortante o teu sorriso que me diz:
Paciência!


Acho interessante sua memória prodigiosa e seu jeito único
De contar o tempo

Acho comoventes as lembranças que se desenham em seu olhar
Quando me vês.

Acho envolvente o passeio de suas mãos macias nas minhas
Acho interessante o modo ímpar como nos encontramos
E nos dizemos tantas coisas

Em silêncio.

domingo, 12 de abril de 2009

Ribeira


É incrível como a gente sempre tenta enxergar o mundo a partir de um referencial próprio, de um modelo construído. Tudo o que não se enquadra nesse modelo é chamado por nós de estranho. Estranheza é a incapacidade de adequar a nós mesmos aquilo que é diferente. Tudo que é diferente assusta, tudo que é diferente gera interrogações e angustia. Enxergar o diferente sob uma nova perspectiva é sempre um desafio, principalmente quando o estranho é belo e desponta à nossa frente. É um exercício bom de fazer. Se permitir sentir as coisas de forma diferente, enxergar o mundo sob uma nova perspectiva...

Estranheza foi a primeira coisa que eu senti quando cheguei ali. Desde que o ônibus foi chegando ao lugar, vi que as coisas mudavam. As casas eram diferentes, a disposição das coisas nas ruas, as lojas, as pinturas nos muros, as pessoas... Tudo numa lógica diferente, como numa pintura de livro. Parecia que eu estava em outra cidade e não assim tão pertinho de casa.

O mar se anunciava sereno para mim. Sem ondas, sem aquela areia branca a que estou acostumada, sem o cheiro forte de maresia que sempre invade as minhas narinas. Era um mar calmo, um mar parecido com um rio que de quando em quando despejava ondinhas minúsculas que mal balançavam as águas. Havia barcos que mais pareciam braços, espalhavam-se pela água como brinquedos, reiteravam a aura de paz e que davam a impressão que eu estava numa cidadezinha do interior. As pessoas eram diferentes, tudo era silencioso apesar de alguns carros exibirem músicas e de haver crianças correndo. Era um silêncio que se despia em meio ao barulho suave das pessoas e das coisas.

Era uma pintura perfeita. Eu olhava encantada tudo, com cara de quem está perdida e ao mesmo tempo querendo ficar ali e respirar fundo o cheiro de novidade. Se houvesse uma maneira de guardar aquela sensação em um potinho eu o faria. Mas todas as coisas boas que sentimos são levadas sorrateiramente pelo vento. Vão e deixam em nós uma sensação de bem estar que não se pode descrever. Talvez pela necessidade de voltarem e nos encantarem mais uma vez.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Compaixão





Sinto vontade de chorar quando te vejo
Mas não sei o porquê.

Sinto vontade de te trazer pra mim e
Guardar-te numa caixa.

Sinto vontade de te dizer que não sou tão boa quanto você pensa

Vontade de não te machucar nunca mais.

E plantar uma flor com o teu nome

Em meu jardim.