sábado, 12 de março de 2011

Solidão


Madonna, Edvard Munch





Por dentro de mim escorrem
Indizíveis emoções, esparsas, confusas
Um inquietamento, uma angústia,
Uma vontade de fazer as coisas certas,
De ser quem eu queria ser e sou.


Por dentro de mim escorrem vontades e caprichos,
Sonhos e objetivos
Amores, cores, dores
E pensamentos vãos

Por dentro de mim escorrem
As eternas dúvidas, perguntas
Sem respostas, dispostas a
Me lanhar por fora, por cima e sempre

Por dentro de mim escorrem
Inquietações latentes,
Perfumes, sabores, pinturas, saberes
Dizeres inaudíveis, imcompreensíveis, mas
Sãos.

Por dentro de mim escondidas estão,
Imóveis ficarão, permanecerão;
Por dentro de mim, imperceptível
Austera, interna, externa, eterna
Solidão

terça-feira, 1 de março de 2011

Recomeçar




Cada lágrima traz em si
A dor de uma tentativa
Uma fuga, uma expectativa
Um ínfimo ar de esperança

Cada trago amargo
de desencontro e desencanto
deixa pesares por todos os cantos
É choro aprisionado de uma criança

Cada esforço em permanecer
É a certeza de um amor
que cambaleia ao vento
que luta com a dor, com a limitação
com o áspero espinho do sentimento

Cada reescrita do seu nome
em minhas veias
reitera a presença do afeto
que colore meus dias, ilumina minhas noites
e põe leveza em meu ar.

Cada vez que me perco em teus olhos
Tenho certeza,
Quando o amor impera
Sempre vale a pena
Recomeçar

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sofrimento


Renoir, La Vague, 1879.





Sim, o sofrimento é necessário.

Luto, descanso, repouso e reza

Ave de asa cortada

perdida no vão da treva


Enfrento a dor de cara lavada

sangue nas mãos,

lágrimas nos olhos e

uma oração no céu


Sim, o sofrimento é necessário.

O sofrimento é salvação

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Oco de Mim



Queria trazer-te um poema,

um poema pequeno,

que te contasse em silêncio

o tamanho da minha saudade


Mas neste oco de mim, nada cabe.

As palavras não ficam e escorregam

por entre as lágrimas,

por entre os sonhos,

por entre as pernas

e caem no chão.


Neste oco de mim

só cabe

a cor esmaecida

de uma tentativa.


Neste oco de mim só

cabe o gosto amargo,

o nó na garganta

de um castelo de areia, lindo,

que as ondas levaram

e não trazem mais.


Neste oco de mim só

há espaço para a dor

que é amplidão

Não há cortinas de fumaça, máscaras,

falsas palavras...


Apenas eu, treva

silêncio e solidão.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Permanência



Parece que é só você

que ousa atravessar esse sem-fim

que me separa de mim, do

mundo, do que é tangível.


Inatingível e isolada nos

confins do meu entendimento

Solícita ao meu próprio tormento

procuro encontrar as chaves.


E agora, nem mais o amor explica a continuidade...


Mas é só pelo amor que eu ainda estou aqui

E é só pelo amor que você ainda está ai.



*Poema escrito em setembro de 2010, modificado em novembro de 2010.

A flor e o asfalto


Depois de muito tempo uma flor amarela nasceu no asfalto em frente a minha rua. Da janela vejo a flor, de haste muito fina, firme a contorcer-se em meio à brisa leve. Quase desprendida, mas leve.

Depois de muito tempo a flor compreendeu a solidão dos asfaltos e a rigidez do tempo. Da janela vejo a flor, resiliente, a se ferir com as pedrinhas que a cercam.

Toda vida é banhada por sofrimentos, toda flor um dia nasce no asfalto.

Da janela vejo a minha vida que se reconfigura em flores, asfaltos, espaços vazios e esboços de solidão. É assim que a gente cresce, é a assim que a gente escreve com carvão e cinzas a nossa própria história. Sem esquecer que da flor também emana perfume e é preciso estar atento para senti-lo, para senti-la.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Einsamkeit





Quero escrever o meu nome,
indefinidamente em folhas
brancas, amareladas pelo tempo.

Promover um brinde ao ego, eu e eu
num infinito de renúncias e solidões.

Mancho a página branca com
as interrogações que a vida me tece

Sou a folha murcha lançada ao solo

Que o tempo apodrece...